Comitês
mobilizam os bairros
Conselhos
comunitários de segurança funcionam como elo entre moradores, comerciantes e as
autoridades publicas,
Dos 40 conselhos
comunitários de segurança (Consegs) ativos em Curitiba, 12 foram criados ou
reativados entre 2011 e 2012. Ao receberem a carta constitutiva as ações dos
Consegs têm início, assim como surgem muitas dificuldades: a falta de
mobilização comunitária e a descrença no poder público são as mais comuns.
Porém, o resultado da união entre moradores, comerciantes e autoridades pode ser
visto em poucos meses de atuação.
Para especialistas,
a participação da comunidade nas discussões sobre segurança pública é o que faz
a diferença neste modelo de conselho. Segundo o professor de Direito da
Universidade Federal do Paraná e membro do Centro de Estudos em Segurança
Pública e Direitos Humanos (Cespdh) André Giamberardino, o papel dos Consegs
deve ser identificar as necessidades da sociedade perante o Estado e diminuir a
distância entre a polícia e a comunidade.
Interior
Primeira
agremiação rural do estado será aberta em Apucarana
Está em fase final
de implantação o primeiro conselho comunitário de segurança do Paraná voltado
para a população que vive fora da área urbana. Localizado na região de
Apucarana, o Conseg rural procura atender à demanda dos agricultores da região,
que viram o número de furtos e roubos aumentar e um colega ser morto em uma
tentativa de assalto. “Depois de receber inúmeras reclamações, a Federação de
Agricultura do estado (Faep) fez uma reunião com a Secretaria de Segurança
Pública (Sesp) e então foi indicada a construção de um Conseg”, conta Renato
Franciscon, presidente do conselho comunitário rural.
No município de
Apucarana existe um Conseg desde 1984, mas Franciscon explica que, como os
crimes cometidos na cidade são diferentes dos que sofrem as pessoas do campo,
foi necessário criar uma agremiação voltada para a zona rural. “Na zona rural há
menos quadrilhas e tipos de crime, mas somos iscas fáceis por causa do
isolamento. Quando é roubado um cavalo aqui não é apenas um animal que some, mas
é um bem de produção que desaparece. Por isso resolvemos criar um conselho
separado do conselho municipal.”
O processo de
criação começou em novembro do ano passado. Hoje o Conseg rural está na etapa de
aprovação do estatuto e a previsão é para que esteja ativo até o fim de julho.
Entretanto, a diretoria já vem promovendo ações de prevenção seguindo as
orientações da Sesp, como palestras. Neste Conseg, apenas pessoas ligadas ao
campo podem participar como membros efetivos. “Ele está se formando com pessoas
ligadas ao Sindicato Patronal Rural de Apucarana, mas ele não atende apenas
pessoas sindicalizadas”, explica Franciscon.
Ampliação
Capital vai ganhar
seis conselhos nos próximos meses
Entre os bairros
que passaram a contar com o trabalho dos Consegs recentemente estão: Bacacheri,
Barreirinha, Capão da Imbuia, Jardim Botânico, Jardim Social, Mossunguê, Novo
Mundo, Santa Cândida, São João, Tarumã, Umbará e Xaxim. A Coordenação Estadual
dos Consegs, órgão da Secretaria de Segurança Pública responsável por dar
suporte aos conselhos comunitários, está trabalhando com a comunidade para a
criação de mais seis Consegs em Curitiba. Nos próximos meses serão criados ou
reativados os conselhos dos bairros de Santa Felicidade, São Braz, Vila Izabel,
Portão e Pilarzinho. No dia 27 de junho às 19 horas acontecerá a primeira
reunião de mobilização para a criação do Conseg Santa Quitéria na Unidade de
Saúde do bairro, na Rua Bocaiúva, 310.
Já em Londrina, no
dia 23, próximo sábado, acontece a capacitação dos Consegs da região, a partir
das 8h30 na sede da Associação Comercial da cidade. Participarão da reunião os
24 jovens que estão criando o primeiro Conseg Jovem do estado, na cidade de
Primeiro de Maio.
Todos
contra o crime
Como a união da
comunidade pode coibir a violência?
Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br
As cartas
selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.
Essa aproximação foi
notada por Marcos Ferreira Corrêa da Silva nos 14 meses em que está à frente do
conselho do Jardim Social. Ele assinala a dificuldade em mobilizar as pessoas do
bairro, porque a população não acredita que o poder público fará a sua parte.
“Mas conseguimos reverter isso e hoje a violência diminuiu bastante, muito pela
união das pessoas. Temos o suporte das autoridades, mas há falhas. Não cabe a
nós, população, enfrentar bandido, precisamos de policiamento
ostensivo.”
Prisões
Apesar de não ter o
poder de combater o crime diretamente, os conselhos podem ajudar na prisão de
elementos que tiram o sossego de um bairro. Segundo o presidente do Conseg do
Barreirinha, Marcelo Henrique, entre os resultados obtidos pela ação do
conselho está o auxílio nas prisões de um motoqueiro que ameaçava as mulheres na
região e do “Homem-Aranha”, ladrão especialista em furtos em prédios capturado
nesta semana.
Para
Fátima Nazaré Câmara Maia, presidente do Conseg do Jardim Botânico, muitos
moradores ainda acham que os membros da diretoria são inteiramente responsáveis
pela segurança no bairro. “Porém, o que podemos fazer é identificar os problemas
e procurar a solução com as autoridades”.
Hoje,
o conselho comunitário do bairro empenha suas forças em uma reivindicação
antiga: a limpeza dos terrenos que ladeiam a linha férrea. “É um lugar que serve
de esconderijo para os marginais do bairro. Ali se concentram pessoas que usam
drogas, que dividem produtos de roubo. Nossa segurança vai melhorar quando o
local for limpo”, diz.
Um exemplo de
sucesso
Criado há quatro
anos, o Conseg do bairro Hugo Lange pode servir de exemplo de mobilização que
transformou a realidade de um bairro. Após uma onda de assaltos, os vizinhos
resolveram tomar algumas atitudes, mas perceberam que sozinhos não alcançavam um
resultado. Foi quando souberam do modelo de conselho comunitário proposto pela
Sesp e decidiram implantar um na região. “Só no primeiro ano o número de
assaltos diminuiu em 50%, no segundo ano do Conseg a redução foi de 30%. Nosso
bairro é basicamente formado por residências. Somos privilegiados, mas não quer
dizer que não temos problemas”, conta o presidente do conselho, Stephan Knecht.
O aposentado afirma
que a atuação do Conseg do Hugo Lange vai além da questão dos assaltos. “Lutamos
também pelas questões de trânsito, pela redução da velocidade. Pedimos a
implantação de uma rotatória aqui e o número de acidentes diminuiu rapidamente.
Brigamos pela revitalização da Rua Augusto Stresser, a pedido da associação
comercial do bairro, e vimos que isso aumenta a segurança para os moradores
também.”
Entre as ações do
conselho comunitário do bairro da região norte de Curitiba está a orientação
para a população de como andar com segurança na rua e como proteger as casas,
criação e implantação de projetos, como o que incentivou a plantação de
orquídeas nas residências, além de promover a conciliação entre vizinhos e donos
de bares.
Knecht diz que o que
estimula o conselho a trabalhar é ser bem recebido pela comunidade e
representantes do poder público. “As autoridades sabem que somos efetivamente os
representantes dos cidadãos. Chegamos com sugestões construtivas, mas sabemos
que não temos prioridades na agenda”, fala.
Para o presidente, o
funcionamento do Conseg é um sucesso e deixa as suas sugestões para os membros
dos demais conselhos comunitários da cidade: “O segredo é tratar com respeito as
autoridades, ter perseverança, persistência e muita paciência. Além disso, é
preciso saber muito bem o que se quer. Perdemos duas vezes o orçamento para a
revitalização da Augusto Stresser, mas não desistimos e hoje ela está muito
bonita”.

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