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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Gazeta do Povo

Comitês mobilizam os bairros
Conselhos comunitários de segurança funcionam como elo entre moradores, comerciantes e as autoridades publicas,
Dos 40 conselhos comu­nitários de segurança (Consegs) ativos em Cu­ritiba, 12 foram criados ou reativados entre 2011 e 2012. Ao receberem a carta constitutiva as ações dos Consegs têm início, assim como surgem muitas dificuldades: a falta de mobilização comunitária e a descrença no poder público são as mais comuns. Porém, o resultado da união entre moradores, comerciantes e autoridades pode ser visto em poucos meses de atuação.
Para especialistas, a participação da comunidade nas discussões sobre segurança pública é o que faz a diferença neste modelo de conselho. Segundo o professor de Direito da Universidade Federal do Paraná e membro do Centro de Estudos em Segurança Pública e Di­reitos Humanos (Cespdh) An­dré Giamberardino, o pa­pel dos Consegs deve ser i­dentificar as necessidades da sociedade perante o Estado e diminuir a distância entre a polícia e a comunidade.
Interior
Primeira agremiação rural do estado será aberta em Apucarana
Está em fase final de implantação o primeiro conselho comunitário de segurança do Paraná voltado para a população que vive fora da área urbana. Localizado na região de Apucarana, o Conseg rural procura atender à demanda dos agricultores da região, que viram o número de furtos e roubos aumentar e um colega ser morto em uma tentativa de assalto. “Depois de receber inúmeras reclamações, a Federação de Agricultura do estado (Faep) fez uma reunião com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e então foi indicada a construção de um Conseg”, conta Renato Franciscon, presidente do conselho comunitário rural.
No município de Apucarana existe um Conseg desde 1984, mas Franciscon explica que, como os crimes cometidos na cidade são diferentes dos que sofrem as pessoas do campo, foi necessário criar uma agremiação voltada para a zona rural. “Na zona rural há menos quadrilhas e tipos de crime, mas somos iscas fáceis por causa do isolamento. Quando é roubado um cavalo aqui não é apenas um animal que some, mas é um bem de produção que desaparece. Por isso resolvemos criar um conselho separado do conselho municipal.”
O processo de criação começou em novembro do ano passado. Hoje o Conseg rural está na etapa de aprovação do estatuto e a previsão é para que esteja ativo até o fim de julho. Entretanto, a diretoria já vem promovendo ações de prevenção seguindo as orientações da Sesp, como palestras. Neste Conseg, apenas pessoas ligadas ao campo podem participar como membros efetivos. “Ele está se formando com pessoas ligadas ao Sindicato Patronal Rural de Apucarana, mas ele não atende apenas pessoas sindicalizadas”, explica Franciscon.
Ampliação
Capital vai ganhar seis conselhos nos próximos meses
Entre os bairros que passaram a contar com o trabalho dos Consegs recentemente estão: Bacacheri, Barreirinha, Capão da Imbuia, Jardim Botânico, Jardim Social, Mossunguê, Novo Mundo, Santa Cândida, São João, Tarumã, Umbará e Xaxim. A Coordenação Estadual dos Consegs, órgão da Secretaria de Segurança Pública responsável por dar suporte aos conselhos comunitários, está trabalhando com a comunidade para a criação de mais seis Consegs em Curitiba. Nos próximos meses serão criados ou reativados os conselhos dos bairros de Santa Felicidade, São Braz, Vila Izabel, Portão e Pilarzinho. No dia 27 de junho às 19 horas acontecerá a primeira reunião de mobilização para a criação do Conseg Santa Quitéria na Unidade de Saúde do bairro, na Rua Bocaiúva, 310.
Já em Londrina, no dia 23, próximo sábado, acontece a capacitação dos Consegs da região, a partir das 8h30 na sede da Associação Comercial da cidade. Participarão da reunião os 24 jovens que estão criando o primeiro Conseg Jovem do estado, na cidade de Primeiro de Maio.
Todos contra o crime
Como a união da comunidade pode coibir a violência?
As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.
Essa aproximação foi notada por Marcos Ferreira Corrêa da Silva nos 14 meses em que está à frente do conselho do Jardim Social. Ele assinala a dificuldade em mobilizar as pessoas do bairro, porque a população não acredita que o poder público fará a sua parte. “Mas conseguimos reverter isso e hoje a violência diminuiu bastante, muito pela união das pessoas. Temos o suporte das autoridades, mas há falhas. Não cabe a nós, população, enfrentar bandido, precisamos de policiamento ostensivo.”
Prisões
Apesar de não ter o poder de combater o crime diretamente, os conselhos podem ajudar na prisão de elementos que tiram o sossego de um bairro. Segundo o presidente do Conseg do Barreirinha, Marcelo Hen­rique, entre os resultados obtidos pela ação do conselho está o auxílio nas prisões de um motoqueiro que ameaçava as mulheres na região e do “Homem-Ara­nha”, ladrão especialista em furtos em prédios capturado nesta semana.
Para Fátima Nazaré Câ­mara Maia, presidente do Conseg do Jardim Botânico, mui­tos moradores ainda acham que os membros da diretoria são inteiramente responsáveis pela segurança no bairro. “Porém, o que podemos fazer é identificar os problemas e procurar a solução com as autoridades”.
Hoje, o conselho comunitário do bairro empenha suas forças em uma reivindicação antiga: a limpeza dos terrenos que ladeiam a linha férrea. “É um lugar que serve de esconderijo para os marginais do bairro. Ali se concentram pessoas que usam drogas, que dividem produtos de roubo. Nossa segurança vai melhorar quando o local for limpo”, diz.

 Um exemplo de sucesso
Criado há quatro anos, o Conseg do bairro Hugo Lange pode servir de exemplo de mobilização que transformou a realidade de um bairro. Após uma onda de assaltos, os vizinhos resolveram tomar algumas atitudes, mas perceberam que sozinhos não alcançavam um resultado. Foi quando souberam do modelo de conselho comunitário proposto pela Sesp e decidiram implantar um na região. “Só no primeiro ano o número de assaltos diminuiu em 50%, no segundo ano do Conseg a redução foi de 30%. Nosso bairro é basicamente formado por residências. Somos privilegiados, mas não quer dizer que não temos problemas”, conta o presidente do conselho, Stephan Knecht.
O aposentado afirma que a atuação do Conseg do Hugo Lange vai além da questão dos assaltos. “Lutamos também pelas questões de trânsito, pela redução da velocidade. Pedimos a implantação de uma rotatória aqui e o número de acidentes diminuiu rapidamente. Brigamos pela revitalização da Rua Augusto Stresser, a pedido da associação comercial do bairro, e vimos que isso aumenta a segurança para os moradores também.”
Entre as ações do conselho comunitário do bairro da região norte de Curitiba está a orientação para a população de como andar com segurança na rua e como proteger as casas, criação e implantação de projetos, como o que incentivou a plantação de orquídeas nas residências, além de promover a conciliação entre vizinhos e donos de bares.
Knecht diz que o que estimula o conselho a trabalhar é ser bem recebido pela comunidade e representantes do poder público. “As autoridades sabem que somos efetivamente os representantes dos cidadãos. Chegamos com sugestões construtivas, mas sabemos que não temos prioridades na agenda”, fala.
Para o presidente, o funcionamento do Conseg é um sucesso e deixa as suas sugestões para os membros dos demais conselhos comunitários da cidade: “O segredo é tratar com respeito as autoridades, ter perseverança, persistência e muita paciência. Além disso, é preciso saber muito bem o que se quer. Perdemos duas vezes o orçamento para a revitalização da Augusto Stresser, mas não desistimos e hoje ela está muito bonita”.

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