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segunda-feira, 2 de julho de 2012

DEVER CIVIL, RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA -> Experiências bem sucedidas em outros países.

No município de Peñalolén, Chile, a comunidade começou com três comitês de vigilância de bairro alinhados com as agências do governo local em 2005. Hoje, o número de comissões cresceu para 166 em uma comunidade de 216 mil habitantes. Norma Maray, gerente da Unidade de Segurança Cidadã do Município Peñalolén, disse à Diálogo que o crescimento de grupos comunitários tem ajudado a reduzir a taxa de vitimização em quase a metade em cinco anos. Isso significa menos invasões de residências, assaltos e outros atos criminosos na comunidade.
O município tem como objetivo ressaltar a ideia de que a segurança do cidadão é tanto um direito como um dever civil, de acordo com Maray. É a ideia de uma responsabilidade partilhada entre os cidadãos e o Estado, com o Estado fornecendo o apoio necessário para que os cidadãos se organizem. Os grupos cidadãos se reúnem com autoridades locais e policiais para criarem planos de ação, em seguida, o município conduz treinamentos e fornece equipamentos e tecnologia. Os planos contêm elementos de prevenção do crime que vão desde programas para a juventude e alarmes comunitários, até a verificação da adequada iluminação das áreas de um bairro e a instalação de câmeras de vigilância para coibir o crime.
A medida que as atividades criminosas ameaçam a segurança da região, os cidadãos na Guatemala, Chile e República Dominicana estão se mobilizando para enfrentar o desafio. Medidas mais severas aplicadas pelas forças de segurança têm auxiliado, mas a simples vigilância e comunicação conduzidas pela comunidade também está ajudando a reduzir a criminalidade. Estão se formando em toda a região milhares de grupos de vigilância formados por cidadãos dos bairros, que trabalham lado a lado com as instituições do governo local para trazer a segurança de volta às comunidades.
“Sobre o tema da segurança, todos, desde o presidente da nação à criança na comunidade devem ser incluídos. Não é apenas um tema para as forças policiais”, afirmou o ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe, durante uma conferência em El Salvador sobre o papel dos prefeitos na segurança pública, em agosto de 2011. O ex-presidente e os prefeitos locais discutiram planos sustentáveis para a segurança, incluindo a criação de um imposto de segurança, medida que foi bem sucedida na Colômbia. ...
A estratégia de recorrer a grupos comunitários não é nova, mas ganhou maior atenção como uma alternativa de baixo custo utilizada para combater o crime.
Donaldo González, porta-voz da Polícia Nacional Civil da Guatemala, disse à Diálogo que a polícia tem trabalhado com grupos comunitários por vários anos. Cerca de 700 grupos de segurança comunitária cidadã foram formados neste período, graças à assistência da unidade de prevenção da Polícia Nacional Civil. Seu impacto tem sido o de propiciar aos cidadãos maior sensação de segurança e de apoio das instituições democráticas, em oposição à exigência de um retorno do controle militar.
A partir do momento em que os cidadãos retomam seus bairros, ficam mais inclinados a interagir uns com os outros em áreas comunitárias, em vez de buscar abrigo dentro de suas casas e se isolarem. O aumento na comunicação ajuda a promover a vigilância na forma de redes sociais. Maray disse que o resultado não significa que os membros da comunidade fazem justiça com as próprias mãos, mas sim que eles detêm os criminosos.
Grupos comunitários no Chile e na Guatemala trabalham principalmente com a polícia, fornecendo informações sobre seu entorno. “Os cidadãos não vão sair e capturar os criminosos, os [cidadãos] não estão patrulhando”, explicou González. Os grupos alcançam três objetivos: criam uma sociedade interconectada, proporcionam uma ampliação dos recursos policiais, informando sobre questões de segurança, e servem como um sistema de verificações e balanços para as ações da polícia ou acompanhamento das informações fornecidas. “O cidadão se torna, de alguma forma, um apoio para as ações policiais. E, além disso, torna-se um tipo de controlador das ações adotadas [pela polícia]”, disse González.
Ao reconhecer que as percepções dos cidadãos sobre o Estado são em grande parte baseadas em interações com a polícia, a Polícia Nacional da República Dominicana treina seus funcionários para se tornarem líderes comunitários. Um policial colombiano ministrou o treinamento inicial, financiado pela Embaixada dos EUA, de acordo com a Coronel Teresa Martínez, comandante da Polícia Nacional da República Dominicana. “O treinamento nos mostrou como capacitar as comunidades e nos ensinou a ver a nós mesmos como agentes de segurança”, explicou a Cel Martínez a Diálogo.
O treinamento forneceu orientações para melhorar a interação entre a polícia e os cidadãos, procurando, em última análise, eliminar a falta de confiança no Estado. “Nós não queremos que os cidadãos façam o trabalho da polícia, mas que, tendo em vista a falta de recursos humanos e outros, simplesmente se comprometam com o tema da segurança e apoiem as suas autoridades”, disse a Cel Martínez.
Especialistas como González e Maray, que se reuniram em um seminário de segurança da comunidade, organizado pelo Instituto das Américas, em junho de 2011, concordam que o esforço para superar o crime está ganhando impulso e reforçando a confiança dos cidadãos no Estado. Especialistas presentes no seminário destacaram que, embora as ameaças à segurança do cidadão variam da Guatemala para o Chile, as comunidades são mais engajadas quando os cidadãos confiam no Estado. O envolvimento da comunidade é um poderoso fator que intesifica o trabalho das forças de segurança e apoia a democracia. “A confiança é adquirida com o sentido das interações existentes, a atenção [dada], e a proximidade que a polícia tem com a população”, acrescentou a Cel Martínez.

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